curadoria
À primeira vista, a obra se revela como um labirinto mecânico, onde engrenagens colossais, algumas perfeitas, outras em desmantelo, giram em um vazio etéreo. No centro, uma figura emerge, suas mãos, ora humanizadas, ora metálicas, tateiam uma superfície irregular, quase um mapa de caminhos possíveis. Há uma paleta de azuis profundos e cinzas chumbo, que conferem uma gravidade ao ambiente, contrastando com pontos de luz dourada que delineiam contornos inesperados.
A técnica, uma fusão entre o hiper-realismo das texturas e o onirismo das formas, desconcerta o olhar. As linhas, precisas e ao mesmo tempo fragmentadas, constroem uma realidade onde o tangível e o abstrato coexistem. A composição assimétrica, com seu ponto focal ligeiramente deslocado, sugere uma busca, uma jornada sem um destino óbvio. Os acentos de cor, estrategicamente dispostos como faróis em meio à penumbra, não apenas guiam, mas também questionam a percepção: são promessas ou apenas reflexos? A justaposição de elementos orgânicos com estruturas rígidas evoca a tensão entre a aspiração humana e os sistemas que a moldam, criando uma atmosfera de contemplação sobre as forças que movem o mundo do trabalho.
Nesta paisagem de paradoxos visuais, a obra articula um diálogo com a dinâmica do emprego contemporâneo. As engrenagens, símbolo da indústria e do movimento produtivo, não giram de forma uniforme; algumas se encai