curadoria
Diante da tela, o olhar é capturado por um embate surreal: massa arbórea de galhos retorcidos, folhagem densa, imposta antinaturalmente sobre uma residência. A arquitetura, antes abrigo, cede; telhas fragmentam-se, paredes inclinam-se. Uma quietude perturbadora permeia o ar, o tempo estagnado na colisão. Luz filtrada acentua contornos ásperos, revelando a dureza de uma nova realidade: casamento estranho entre o orgânico e o edificado.
A paleta de tons verde-acinzentados, ocres e sombras profundas acentua a gravidade, evocando estética entre o onírico e o documental. Composição desequilibrada, vertiginosa, subverte a perspectiva, colocando o espectador em vulnerabilidade, sentindo o peso da matéria. Texturas táteis — aspereza da casca, frieza do concreto, quebra da cerâmica — manifestam mais que literalidade. Esta técnica surrealista crítica sugere: o sólido é frágil, o natural, imprevisível, incitando leitura além do visível.
A obra transcende o incidente, espelhando a renegociação constante do espaço, a fragilidade inesperada das construções. A árvore, monumental e silenciosa, simboliza a interrupção súbita do cotidiano, lembrete da nossa pequena escala diante de forças maiores, naturais ou urbanas. O 'cair' aqui é queda de certezas, redefinição de lar e segurança, crítica sutil à efemeridade de planejamentos e vulnerabilidade social. Não narra socorro, mas congela a constat