curadoria
Diante da tela, o olhar é absorvido por uma escuridão quase tátil, um véu noturno. Silhuetas de veículos emergem, fantasmas metálicos sobre asfalto úmido e reflexivo. Luz amarela opaca, quase doentia, refrata-se. Não há rostos, apenas formas humanas espectrais, envoltas em névoa, sugerindo espera ou passagem. Tons de cinza e azul profundo dominam, pontuados por um amarelo fantasmagórico que não ilumina, mas adverte, como eco distante. A atmosfera densa, pesada, convida à introspecção.
A técnica distorce a percepção, fundindo real e irreal. Pinceladas arrastadas e contornos fusionados conferem etereidade, como se flutuasse entre despertar e sono. Ecos do expressionismo alemão ressoam na angústia. A composição não linear intensifica a perturbação. O amarelo transcende a cor; é presságio, espectro, memória de um alerta. Materializa a incerteza, a fragilidade do movimento. A obra não pinta cena, mas um sentimento: a apreensão silenciosa que precede o inevitável, ou a salvação talvez ignorada.
A obra evita o literal, mas capta a essência da intervenção. A estrada, símbolo de liberdade, transmuta-se em arena de vigilância invisível. Pontos estratégicos tornam-se portais de reflexão; cada travessia carrega seu peso. O ‘Maio Amarelo’ não é campanha, mas aura persistente, lembrete espectral dos perigos e responsabilidades. Não responde, mas questiona. Convida a perceber significado na