
Eco da Mata na Engrenagem
A primeira impressão convida o olhar a um universo onde o orgânico e o industrial se entrelaçam numa dança complexa. Fragmentos de florestas tropicais, com folhagens exuberantes e troncos retorcidos, colidem com a frieza austera de engrenagens metálicas e tubulações que serpenteiam como artérias de máquina gigantesca. No centro, uma forma quase biológica emerge, composta de detritos e fios, quimera suspensa entre natureza e intervenção humana: guardião silencioso de futuro incerto. A paleta de cores, dominada por tons de verde-musgo, cinza-chumbo e marrons profundos, é subitamente perfurada por um fio vibrante de vermelho. Este traça um caminho sinuoso pela composição, unindo o que parecia irreconciliável. As texturas simuladas evocam a aspereza do metal corroído e a madeira envelhecida, convidando ao tato. A luz, ora difusa, ora focada com intensidade dramática, esculpe as formas e acentua contrastes, conferindo à cena uma atmosfera quase teatral. A composição, apesar da fragmentação, pulsa com movimento perpétuo, sugerindo ciclos ininterruptos. Nesta alquimia visual, a obra revela a teia entre consumo e regeneração planetária. Não foca na catástrofe, mas na urgência da transformação: o descartado se converte em substrato para um novo florescer. As conexões, visíveis e sutis, entre elementos naturais e artefatos humanos propõem meditação sobre a interdependência de ecossistema