curadoria
A obra surge como um mural urbano, uma explosão de texturas e cores que se sobrepõem. Sobre um fundo de cinzas industriais e terrosos brutos, pinceladas vibrantes de amarelo e verde irrompem, um lamento ou um alívio visual. A composição fragmentada, dinâmica, usa colagem e stencil para entrelaçar camadas de papel rasgado, tinta respingada, grafismos gestuais e tipografias distorcidas. Essa crueza deliberada, estética de intervenção de rua, evoca a urgência de mensagens não ditas, a efemeridade de paisagens urbanas. Cada arranhão, cada sobreposição, conta um registro de um tempo em constante transformação.
Nesta tapeçaria de fragmentos, a obra dialoga com o pulsar econômico. Texturas orgânicas, insinuando-se entre superfícies metálicas e rachaduras do concreto, sugerem a fertilidade do solo, a abundância da terra. Vestígios industriais – engrenagens obscurecidas, dutos enferrujados, silhuetas de fábricas emudecidas – narram uma estagnação, uma promessa de progresso sem ritmo. Uma constatação visual da disjunção: enquanto uma força da natureza expande domínios, outra, construída pela engenhosidade humana, recua para as sombras. A obra não declara um veredito, mas convida à reflexão sobre os caminhos divergentes de um futuro moldado por forças tão distintas.