curadoria
Ao primeiro olhar, a obra desvela um panorama desolador. Montanhas indistintas de detritos, ou talvez ruínas do que outrora teve propósito, emergem de uma névoa densa e quase palpável. A luz, escassa e filtrada, mal rompe a atmosfera pesada que satura o ambiente, delineando silhuetas fantasmagóricas e contornos difusos. Não há figuras humanas, apenas a presença opressiva do que foi deixado para trás, empilhado em camadas que sugerem o passar de incontáveis ciclos de esquecimento. Texturas ásperas, superfícies corroídas e fragmentos que resistem à própria desintegração compõem uma paisagem de quietude sombria.
A paleta de cores, restrita a cinzas profundos, marrons terrosos e toques de verde-musgo desbotado, acentua a sensação de decadência e abandono. Cada traço, cada pincelada, constrói uma textura que simula a corrosão do tempo, a inevitabilidade da desintegração. A ausência de cores vibrantes não é mera escolha, mas um espelho da vitalidade drenada. A composição fragmentada, com elementos que se fundem e se desfazem, evoca a memória de sonhos distorcidos, de futuros que se perderam na névoa da negligência. Há um quê de pesadelo acordado, onde o onírico se mistura à matéria bruta, criando uma atmosfera que é, simultaneamente, etérea e visceralmente densa. A profundidade é ilusória, convidando o olhar a se perder em camadas de significado.
Nesta paisagem de resíduos e penumb
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