curadoria
Ao primeiro olhar, a obra se desdobra em um panorama etéreo. Montanhas estilizadas, quase espectrais, emergem de uma névoa aquática. Linhas sinuosas de um rio serpenteiam pelo plano inferior, guiando o olhar. A paleta, contida em cinzas azulados e ocres suaves, pontua-se com um vermelho alaranjado, insinuando um sol poente. Há uma quietude aparente, um silêncio que convida à imersão, mas também um movimento latente nas formas alongadas, como o tempo suspenso.
A técnica, inspirada na fluidez do sumi-ê e na sensibilidade oriental, emprega pinceladas que variam do etéreo ao incisivo. A água, elemento central, dissolve e define, criando transições suaves entre céu, terra e o que está entre eles. A composição evoca a efemeridade do tempo e a constante mudança, capturando um instante que se desfaz e se refaz. Pigmentos minerais, aplicados em camadas translúcidas, conferem profundidade, quase convidando o toque para sentir a textura da névoa. O ritmo é cadenciado, como o sopro de um vento que molda paisagens.
Nesta paisagem de quietude e movimento, a obra tece um diálogo sutil com as tensões do presente. A dualidade entre as formas que se elevam e as que se curvam, entre a luz que surge e a sombra que persiste, reflete a complexidade das escolhas. Não há um conflito explícito, mas uma representação da balança que pende, do fluxo que encontra barreiras, do tempo que se estende na incer
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