curadoria
Ao primeiro olhar, a tela se impõe como um véu de penumbra. Cores se esvaem em azuis profundos e cinzas que absorvem a luz, criando um ambiente de suspensa melancolia. Formas surgem e se retraem na névoa densa, como espectros de uma memória, ou talvez, a sombra de algo que se foi. Não há contornos nítidos; apenas sugestões, vultos que parecem flutuar em um espaço sem chão, onde o tempo se alonga em um lamento silencioso. Uma figura central, quase etérea, parece se desfazer, sua identidade perdida na vastidão do escuro, convidando o observador a uma introspecção imediata.
A técnica empregada, uma fusão de pinceladas diluídas e texturas granulares, amplifica a atmosfera onírica e perturbadora. Os tons frios e submersos, intercalados por um vermelho quase imperceptível, como uma ferida antiga, infundem uma sensação de irrealidade e um presságio contínuo. A composição é deliberadamente fragmentada, com elementos que se desprendem e se reencontram em um balé fantasmagórico, simulando a impermanência e a fragilidade da existência. É um mergulho em um inconsciente coletivo, onde a beleza trágica se funde com o desconforto da perda, evocando a sensação de um sonho pesado, do qual não se consegue despertar completamente.
Nesta paisagem de sonho e escuridão, a obra estabelece um diálogo sutil com as reverberações de ausências profundas. Não há narrativa explícita, mas a tela respira o
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