curadoria
Ao primeiro olhar, a tela revela uma arquitetura de engrenagens e balanças desequilibradas, suspensas em um vazio que oscila entre o industrial e o onírico. Silhuetas humanas espectrais, desprovidas de individualidade, emergem da estrutura, tornando-as representações coletivas. A paleta é austera: cinzas grafite e ocres enferrujados dominam, pontuados por azuis-cobalto e vermelhos escarlate que guiam o olhar, conferindo à cena uma quietude melancólica. A técnica, uma fusão de colagem digital e pintura, cria uma realidade propositalmente distorcida. Elementos cotidianos são deslocados, subvertendo a lógica e provocando um estranhamento surrealista, mas tingido por uma veia política. A composição, deliberadamente desequilibrada, gera tensão visual, como se algo estivesse prestes a ceder. Essa fragmentação sugere uma realidade que se desintegra sob o peso de suas contradições, onde o visível esconde camadas de significados, convidando à percepção das invisibilidades. A obra, em seu silêncio eloquente, dialoga com a noção de otimização. As engrenagens, símbolos de um sistema que busca fluidez, parecem girar em falso, ou esmagar algo. As balanças não apontam para equilíbrio, mas para uma tensão constante, uma distribuição desigual de pesos. As figuras espectrais podem ser o eco dos impactos que permanecem à margem da contabilidade. Não há aqui ilustração direta, mas metáfora visual