curadoria
A obra desdobra-se em uma paisagem de desolação profunda. Estruturas corrompidas, fragmentos arquitetônicos em azul-noite e cinza-chumbo, erguem-se contra um horizonte nebuloso. Uma quietude opressora permeia o ar, pesado, como se o tempo estagnasse em crepúsculo perpétuo, pontuado por verde musgo doentio. Fissuras luminosas tremem nas sombras, cintilando como cicatrizes que se recusam a desaparecer, convidando o olhar à inspeção.
A pincelada, ora densa, ora etérea, dissolve as formas em contornos espectrais, revelando a técnica de um sonho febril. A composição fragmentada e distorcida insinua presenças que rastejam nas frestas da percepção. Luzes fantasmagóricas, em meio às sombras, acentuam o caráter ominoso. A atmosfera onírica, permeada por decadência e esquecimento, transforma o cenário em labirinto mental, onde a realidade se dobra sob o peso de ameaça invisível e palpável.
Nesse abismo estético, a obra dialoga com a matéria, tocando na essência do que jaz oculto. As ruínas espelham a infraestrutura de esperança corroída, a falha estratégica que persiste. O verde mórbido e as fissuras sugerem focos de infecção – não de corpos, mas do tecido social e político, onde parasitas invisíveis, como disputas e abandono, encontram terreno fértil. Limbo estratégico e espera infinita manifestam-se no silêncio perturbador e na promessa vazia, aprisionando o observador na contemplaçã