
Máscaras Revertidas, Geometrias do Poder
A obra revela um mosaico de artefatos africanos — máscaras e figuras totêmicas fragmentadas — emergindo de um fundo etéreo, em tons terrosos e cinzas desbotados. Linhas angulares, reminiscentes de mapas antigos, entrelaçam-se, organizando o caos. Selos e carimbos estilizados flutuam, como vestígios da burocracia sobre a matéria ancestral. A técnica, uma fusão onírica de realismo e abstração, subverte a percepção. A paleta de ocres profundos e bronzes oxidados, pontuada por azuis esmaecidos, insinua a passagem do tempo e o atrito cultural. Há uma tensão na justaposição: a solidez ancestral em contraste com a fluidez das sombras, evocando um diálogo silencioso entre o tangível e o espectral. O olhar é convidado a decifrar as sobreposições e o peso das histórias implícitas. Neste cenário de devoluções, a obra questiona a complexidade do retorno. As faces dos artefatos, ora inteiras, ora quebradas, refletem não só o desgaste e a pilhagem, mas a reconfiguração intrínseca de poder. A ancestralidade se ergue, desafiando estruturas invisíveis. O retorno é um novo começo, onde estes objetos, outrora silenciosos, reverberam como vozes de um continente. Exige-se uma reconfiguração profunda do olhar ocidental, confrontando as sombras geopolíticas da justiça histórica.