curadoria
Ao primeiro olhar, a obra desdobra uma tapeçaria de verdes profundos e dourados cintilantes, como campos férteis sob um sol em movimento. Linhas sinuosas ascendem, entrelaçando-se num fluxo contínuo, como o ar ou a água. Manchas de cor, densas ou translúcidas, sugerem contornos de paisagens familiares, convidando o observador a preencher vazios. Uma serenidade aparente esconde tensão subjacente, um pulsar na transição entre tons, terra e céu.
A técnica, imersa na tradição oriental, evoca a delicadeza e força da caligrafia Sumi-e e a poética das paisagens japonesas. Cada pincelada traça um caminho, sugerindo a respiração da natureza. A composição fluida reflete a filosofia Zen do vazio e do cheio, onde o espaço não pintado adquire significado. As curvas guiam o olhar em jornada visual, convidando à contemplação da impermanência e interconexão dos elementos, onde a matéria se dissolve e recompõe em eterno devir.
Nesse balé de formas e cores, a obra dialoga sutilmente com as correntes invisíveis que moldam a existência. Fluxos dourados interpretam riquezas que se movem, energias circulantes, ora abundantes, ora escassas, irrigando ou secando o solo. Camadas de verde, promessa de colheita, sugerem vitalidade, mas também a vulnerabilidade de ciclos naturais às marés de além. A linha do horizonte insinua passagens, onde bens e sentidos transitam, sentindo peso e leveza das trocas. É