curadoria
Ao primeiro olhar, a tela explode em uma paleta de contrastes: a austeridade dos cinzas e marrons, evocando o asfalto e concreto, é rasgada por explosões de vermelho, azul e amarelo neon. Uma metrópole abstrata se revela, seus contornos arranhados, sua estrutura desordenada, como um mapa fragmentado de desejos urbanos e realidades financeiras. A composição inicial, aparentemente caótica, revela um ritmo latente nas sobreposições de tipografia, símbolo e forma, guiando o olhar por um labirinto visual.
A técnica, uma colagem digital-analógica, é intrinsecamente urbana. Cada traço enérgico, cada recorte bruto, cada inscrição de stencil, não é apenas um gesto estético, mas o eco das ruas, da efemeridade da pichação e da urgência do panfleto. Há uma crueza honesta na forma como as camadas se revelam, sugerindo a complexidade de um tecido social onde o formal e o informal, o planejado e o espontâneo, se entrelaçam. A textura granulada evoca a poeira das cidades, o desgaste do tempo, a resiliência moldada nas intempéries diárias.
É neste labirinto que a obra dialoga, sutilmente, com a matéria. As linhas retas e os fragmentos de gráficos que emergem do caos urbano podem ser lidos como os pilares de uma economia em busca de estabilidade, as promessas de reformas tecidas no dinamismo do mercado. O brilho dos neons, por sua vez, simboliza o magnetismo do investimento estrangeiro, a atra