curadoria
A tela irrompe em rubros e alaranjados, chamas dançando um kagamijishi, consumindo a matéria. O negro da fumaça ascende em espirais caligráficas, delineando formas que se desfazem, estruturas que cedem. Há uma coreografia na devastação: o fogo não apenas destrói, mas esculpe o vazio. Pinceladas capturam a intensidade do momento, a força incontrolável que reconfigura o espaço, deixando um rastro de cinzas e a promessa de silêncio.
A técnica, imbuída da essência oriental, transcende a representação. Aguadas, como sumi-e, permitem que acaso e precisão se entrelacem, sugerindo a impermanência do construído. A fluidez dos contornos, reminiscentes das ondas de Hokusai, evoca o movimento das chamas e a passagem inexorável do tempo. É a manifestação do *mono no aware*, a beleza melancólica da transitoriedade. Cada traço contribui para a narrativa de um ciclo que se fecha para que outro possa surgir, revelando uma ordem intrínseca, um equilíbrio entre a energia avassaladora e a quietude.
O diálogo com o evento reside na ressonância do espaço. Uma clínica, local de renovação, agora em desconstrução radical. A ausência humana e a primazia da matéria em combustão ressaltam a perda: colapso estrutural, serviço interrompido. Contudo, na fumaça que se dissipa e nas cinzas que repousam, reside a semente do renascimento. A obra não lamenta, mas observa a transmutação, questionando o que perma
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Incêndio destrói clínica de estética no centro de Cascavel
Fogo consumiu o interior do estabelecimento, mas não houve vítimas; causas ainda são investigadas.
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