curadoria
Ao primeiro olhar, a obra desvela uma paisagem de contornos suaves, onde o azul profundo do crepúsculo se funde com os tons quentes de um horizonte que se desfaz. Um rio sereno serpenteia através de montanhas estilizadas, suas águas espelhando a transição do dia para a noite. No centro, uma abertura ou um portal, sutilmente delineado por pinceladas que imitam a névoa, convida o olhar a uma jornada interior.
A técnica, com sua fluidez característica, emprega pinceladas que se dissolvem e se reconstroem, evocando a dança da tinta sumi-ê sobre o papel úmido. É um balé visual que sugere a impermanência, a constante transformação da natureza e da existência. As camadas de cor, quase transparentes em certos pontos, criam uma profundidade onírica, um convite à contemplação. Referências veladas à arte oriental, com seus espaços vazios significativos e a harmonia entre o cheio e o vazio, permeiam a composição, conferindo-lhe uma ressonância cultural ancestral.
Nesta tapeçaria visual, a obra tece um diálogo silencioso com a passagem do tempo e a efemeridade das chances. O portal central, embora aberto, pulsa com a energia de um limiar, um ponto de não retorno. As águas que fluem, e as nuvens que se dissipam, murmuram sobre a inevitabilidade de um ciclo que se completa, um momento derradeiro para escolher um percurso. A luz que diminui no horizonte não é de fim, mas de uma transição que