curadoria
A tela se abre em um abismo de penumbra. Um véu quase impenetrável de azul-petróleo e roxo-fúnebre domina o primeiro encontro, dissolvendo formas em uma sugestão de arquitetura distorcida, talvez uma prisão, talvez um labirinto interior. Fragmentos esparsos de luz doentia, um vermelho-ferrugem aqui, um verde-cálido ali, lutam para perfurar a escuridão, mas são engolidos pela vastidão opressora. Não há um ponto focal óbvio, mas sim uma rede de linhas e sombras que convidam o olhar a uma descida lenta, a uma exploração das profundezas. A composição é densa, quase sufocante, como se o ar rarefeito pesasse sobre a própria imagem.
A técnica, marcada por pinceladas que se dissolvem e se reconstroem, evoca a natureza efêmera e traiçoeira da memória, ou talvez, a instabilidade da própria realidade. Há uma qualidade onírica, um pesadelo silencioso, onde a lógica cede lugar à sensação de ameaça constante. As cores, saturadas em sua escuridão, e a textura granulada, quase palpável, criam uma atmosfera de desassossego, um sussurro inquietante que ecoa no vazio. É a representação de um estado mental, um mergulho na psique onde os limites entre o real e o imaginado se tornam fluidos, turvos, sempre à beira do colapso. O ambiente é de claustrofobia, de um aprisionamento que transcende as barreiras físicas e se manifesta no espírito.
Nesta paisagem de sombras e fragmentos, a obra dialoga com
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