curadoria
A obra se abre em um campo de tensões, onde formas arquitetônicas e orgânicas se chocam. Torres de concreto etéreo ascendem contra massas fluidas que se espalham. Tons de ocre, cinza-azulado e um vermelho-ferrugem pontual conectam esses elementos díspares, criando um embate silencioso, um momento de gravidade suspensa.
A técnica, colagem digital com texturas de pintura, confere à superfície qualidade tátil, quase áspera. Pinceladas visíveis infundem humanidade e imperfeição, contrastando com a precisão geométrica. A estética surrealista, com distorções e justaposições, evoca sonho e subconsciente. Sem narrativa linear, mas uma rede de símbolos visuais que se comunicam em dialeto próprio, convidando à decifração da emoção nas formas. Paira uma melancolia sutil, um suspense, sugerindo um momento crucial, prestes a ocorrer ou já passado, deixando apenas ecos.
Nesta tela, o confronto da matéria transcende o físico, manifestando-se como tensão universal. Estruturas verticais são pilares de força; formas fluidas, adaptabilidade ou imprevisibilidade do jogo. Não é um retrato literal, mas explora forças invisíveis que moldam qualquer duelo: estratégia contra instinto, ambição contra resiliência, identidade contra desafio. A obra captura a alma do embate, a política inerente à competição, a irrealidade de um momento que define destinos, ecoando a intensidade do Brasileirão sem nomeá-lo,