A Culpa e o Silêncio: Vicentina Entre o Particular e o Coletivo
Filme de Gabriel Martins estreia em Toronto com reflexão sobre luto e responsabilidade individual
Vicentina Pede Desculpas', de Gabriel Martins, abre com uma cena catastrófica — um ônibus cai de um viaduto, matando quase todos os passageiros — para em seguida mergulhar na angústia particular da mãe do motorista, interpretada por Rejane Faria. A personagem-título busca expiar a culpa do filho, morto no acidente, pedindo desculpas às famílias das vítimas. Mas o filme não se limita a essa jornada individual. Pelos noticiários que invadem sua casa, Vicentina confronta a narrativa pública sobre o filho, em uma crítica aguda à espetacularização midiática da tragédia. Martins, cujo 'Marte Um' já havia explorado questões sociais e políticas brasileiras, usa a história inspirada em sua avó para investigar o luto coletivo em tempos de polarização. Seu filme oscila entre o íntimo e o público, o silêncio e o ruído — e convida o espectador a refletir sobre onde termina a responsabilidade individual e começa a alienação coletiva.