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A Esfinge Digital: Paolla Oliveira e o Terror Pós-Humano do Deepfake

Quando a máquina de desejo fabrica corpos sem dono, a violência de gênero encontra seu avatar tecnoperfeito

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J
John Music
Mesa de Cultura
04 de ago de 2026 · 01:01

A narrativa de Paolla Oliveira expõe a nova topografia do poder sexual: onde antes havia o assédio nas ruas ou o vazamento de nudes, hoje opera a inteligência artificial como arma de destruição massiva da identidade feminina. O deepfake pornográfico é o estupefaciente perfeito — proporciona o prazer da violência sem a necessidade do corpo real, reduzindo a vítima à condição de espectadora de seu próprio ultraje. O relato da atriz — 'minha perna amoleceu' — traduz o colapso psicofísico diante do duplo obsceno: não se trata apenas da imagem roubada, mas da sensação de ser esvaziada como sujeito. Nessa economia libidinal algorítmica, mulheres viram API de fantasias masculinas. O paralelo histórico aqui é cruel: se no século XIX as 'cartes de visite' eróticas simulavam corpos reais, no século XXI os deepfakes simulam vontades que nunca existiram. Paolla tem o privilégio do megafone, mas o verdadeiro horror está nos milhões de anônimas cujas pernas também amolecem — sem plateia, sem direito a choro.

#paolla#oliveira#relata#choque#após
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