A resiliência do Fala Maestro em tempos de dissonância econômica
Enquanto orçamentos culturais minguam, programa de Roney Marczak mantém ecossistema de formação musical há cinco anos
O Fala Maestro, programa semanal de Roney Marczak, completa 259 episódios como caso raro de continuidade num cenário onde políticas culturais sofrem as consequências da crise fiscal. Seu modelo descentralizado - rádio universitária, TV comunitária e plataformas digitais - revela uma adaptação pragmática às restrições do setor. A menção aos 9,3 trilhões de gastos públicos pelo maestro funciona como contraponto involuntário: seu projeto Sol Maior, que atendeu 14 mil jovens em 25 anos, opera com lógica inversa à do superávit performático de grandes verbas culturais. O programa sobrevive não por patrocínios milionários, mas por uma rede de afetos que vai de bolsistas ansiosos diante das câmeras à audiência cativa em múltiplos canais. Numa era de ostentação de recursos públicos, a frugalidade criativa do Fala Maestro acaba sendo seu ativo mais valioso - prova de que formação artística persiste mesmo quando a conta não fecha.