Alckmin articula com Paes no Rio antes de debate e critica postura de Flávio
Vice-presidente contrasta mobilização de aliados no estado que concentra 11,3% do eleitorado nacional
O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou agenda no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (23/10) para encontro com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e atividades da campanha de Lula, antecedendo o debate presidencial na TV Globo. Durante coletiva em São Paulo, Alckmin contrastou as estratégias de campanha no RJ: enquanto o governador eleito Douglas Ruas (PL) faz carreatas pelo interior em apoio a Flávio Bolsonaro, Paes atua com vídeos nas redes em defesa de Lula. O vice citou ainda a mobilização do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), como parte da articulação petista no estado. Sobre o debate da Band, Alckmin criticou a postura de Flávio, qualificando como 'desrespeitosa' a conduta de ficar atrás do adversário fazendo gestos durante as respostas. Defendeu que debates devem servir para prestação de contas, não para '19 exigências para abrir sigilo' - referência às condições impostas pela campanha bolsonarista para liberação de dados bancários e telefônicos da família.
A movimentação de Alckmin no Rio ocorre em momento estratégico: o estado responde por 11,3% do eleitorado nacional e concentra 39,4% dos votos do Sudeste, segundo o TSE. A escolha de Paes como interlocutor não é casual - o ex-prefeito mantém rede de influência nos 92 municípios fluminenses, especialmente na Região Metropolitana que concentra 75% dos eleitores. A crítica ao modus operandi de Flávio Bolsonaro nos debates ecoa preocupação da campanha lulista com a performance midiática do adversário, que no primeiro turno obteve 58,3% no RJ contra 32,1% de Lula. A menção às '19 exigências' para abertura de sigilos sinaliza tentativa de vincular a imagem bolsonarista à opacidade, contrapondo-se à narrativa de transparência petista. Vale notar que o próprio Alckmin enfrentou questionamentos sobre sigilo fiscal em 2018, quando era candidato a presidente pelo PSB.