Anvisa interdita lotes de imunoterápico usado em hospitais da região
Medicamento para tratamento de câncer tem três lotes proibidos; HUOP e Hospital de Toledo foram notificados
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição de três lotes do medicamento Keytruda (pembrolizumabe), utilizado no tratamento de câncer, após identificar desvios de qualidade. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24). Os lotes afetados são: L20031, L20032 e L20034, fabricados em setembro de 2020 pela Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda. A decisão não afeta outros lotes do medicamento, que continua liberado para uso. O Keytruda é um imunoterápico indicado para melanoma, câncer de pulmão, cabeça e pescoço, entre outros. Hospitais regionais como o HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná) em Cascavel e o Hospital do Câncer de Toledo foram notificados sobre a medida. A Anvisa orienta pacientes em tratamento a consultarem seus médicos sobre eventual necessidade de substituição do medicamento.
A interdição de lotes de imunoterápicos pela Anvisa reverbera de forma particular no oeste paranaense, onde o HUOP em Cascavel e o Hospital do Câncer de Toledo são referências no tratamento oncológico para os 54 municípios da região. O Keytruda integra protocolos de tratamento financiados pelo SUS, com demanda crescente nos últimos cinco anos - em 2019, a 10ª Regional de Saúde registrou 1.842 novos casos de câncer. A medida ocorre em um contexto de pressão sobre o sistema público: apenas em Cascavel, a fila para primeira consulta em oncologia chegou a 120 dias em 2022. A logística de redistribuição de medicamentos na região, que envolve a Central de Abastecimento Farmacêutico do Paraná (CAF), pode enfrentar desafios adicionais com essa substituição. Dados do TCE-PR mostram que, entre 2020 e 2022, os gastos municipais com saúde na região cresceram 18%, mas 63% das prefeituras tiveram contas irregulares na área.