Aos estudantes do futuro: nós não entendemos o que acontece em 2026 também
Ricardo Araújo Pereira reflete sobre a complexidade de narrar eventos contemporâneos, usando o caso hipotético de uma guerra EUA-Irã em 2026
Ricardo Araújo Pereira, humorista português, lança um olhar cáustico sobre a dificuldade de compreender os próprios tempos em que vivemos. Em sua coluna na Folha Ilustrada, ele imagina um futuro onde estudantes terão de decifrar os acontecimentos de 2026 — ano em que, em sua ficção, os EUA e o Irã travam uma guerra marcada por contradições e ambiguidades. Pereira satiriza a incoerência das declarações públicas de Trump, que oscilam entre ameaças de destruição total e anúncios de acordos iminentes. A crônica, ilustrada por Luiza Pannunzio, sugere que a história contemporânea é uma narrativa fragmentária, onde até os protagonistas parecem perdidos. A hipótese de Pereira aponta para o desafio de construir sentido em meio ao caos discursivo, onde a verdade parece tão volátil quanto os tweets presidenciais. Aos futuros historiadores, ele oferece um consolo irônico: nós, que vivemos esses eventos, também não os entendemos.