Ataques ucranianos reduzem apoio à guerra na Rússia para nível recorde
Pesquisa mostra queda de 8 pontos na aprovação do conflito após campanha contra infraestrutura russa
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Apoio à guerra na Rússia atingiu seu menor patamar desde o início do conflito, segundo pesquisa do Centro Levada divulgada nesta semana. A invasão da Ucrânia é apoiada por 66% dos russos, queda de 8 pontos percentuais em relação a maio, quando o índice estava em 74%. O levantamento ouviu 1.612 pessoas presencialmente em 137 cidades entre 21 e 28 de julho, com margem de erro de 2 pontos.
A queda coincide com uma campanha intensificada de ataques ucranianos contra infraestrutura energética e logística russa, incluindo refinarias, navios graneleiros e depósitos da gigante do comércio online Wildberries. Desde maio, quando o presidente Volodymyr Zelensky prometeu levar 'a guerra para a casa dos russos', os ataques se tornaram quase diários, com drones capazes de atingir alvos a mais de 2.000 km de distância.
O impacto econômico já é sentido pela população, com relatos de filas em postos de combustível em Moscou devido à escassez. O preço da gasolina chegou a subir 35% em junho, estabilizando-se posteriormente após intervenção governamental. O número de vítimas civis russas também aumentou, representando 2 dos 21 civis mortos em julho - o maior número desde o início da guerra.
A queda no apoio à guerra reflete uma estratégia ucraniana calculada: atingir alvos que impactem diretamente a vida cotidiana da população russa urbana, particularmente a classe média que até agora havia sido poupada dos efeitos do conflito. Os ataques a infraestrutura energética e logística têm um efeito psicológico desproporcional, criando imagens visíveis de destruição e interrompendo cadeias de abastecimento essenciais.
O timing dos ataques coincide com um período sensível para o Kremlin, que enfrenta pressões econômicas crescentes devido às sanções ocidentais. A estratégia ucraniana explora habilmente a desconexão entre a narrativa oficial de uma 'operação militar especial' e a realidade de uma guerra total que começa a afetar os centros urbanos russos. Os dados do Levada, apesar das sanções sofridas pelo instituto, ainda oferecem um retrato crível do humor público, sugerindo que a população russa pode estar começando a questionar os custos do conflito.
O foco em alvos econômicos como a Wildberries é particularmente astuto, atingindo tanto a logística quanto o consumo - dois pilares da estabilidade social na Rússia pós-soviética. Apesar da intervenção governamental para conter a inflação dos combustíveis, os ataques contínuos desafiam a capacidade do Estado de manter a normalidade econômica, criando um desgaste acumulativo que pode eventualmente minar o apoio popular à guerra.