Bradesco aumenta lucro em 14,6% com controle de despesas e foco em crédito seguro
Banco registra R$ 7,1 bi no 3º tri, mas inadimplência sobe e provisões para perdas crescem 24,3%
O Bradesco anunciou um lucro líquido de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado por um controle rigoroso das despesas operacionais, que caíram 1% em 12 meses, e pela diversificação das receitas, com foco em serviços não relacionados ao crédito, como gestão de recursos e mercado de capitais. A carteira de crédito total atingiu R$ 1,15 trilhão, com destaque para o crescimento de 14% no segmento de pessoas jurídicas. No entanto, a inadimplência continuou a subir, atingindo 4,6% para atrasos acima de 90 dias, com maior pressão nos segmentos de micro, pequenas e médias empresas (MPME) e crédito pessoal. O banco também aumentou suas provisões para perdas esperadas em 24,3%, refletindo uma reavaliação do risco em carteiras antigas, especialmente no crédito rural e pessoal.
O desempenho do Bradesco revela uma estratégia defensiva em um cenário econômico desafiador. A redução das despesas e o foco em receitas não relacionadas ao crédito são movimentos típicos de instituições financeiras em períodos de alta inadimplência e juros elevados. A priorização de empréstimos com garantia e clientes de alta renda reflete uma tentativa de mitigar riscos, mas também sugere uma retração no acesso ao crédito para segmentos mais vulneráveis, como MPME e consumidores de baixa renda. O aumento das provisões para perdas, embora prudente, indica uma expectativa de deterioração adicional da qualidade do crédito. A estratégia do banco parece alinhada com a pressão regulatória por maior solidez financeira, mas também revela um possível custo social: a exclusão de setores que mais precisam de crédito em um momento de desaceleração econômica.