Brasil abre 13 pizzarias por dia, mas pizza pesa mais no bolso
Índice Mozarela revela queda de 8,4% no poder de compra em 4 anos, com disparidade entre bairros ricos e periféricos
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O Dia da Pizza, celebrado em 10 de julho, revela um paradoxo na economia brasileira: enquanto o país abre 13 novas pizzarias por dia, com o menor número de fechamentos da última década, o poder de compra das famílias para esse item caiu significativamente. O Índice Mozarela, desenvolvido pela Fatec-SP, mostra que em 2021 a mediana de pizzas que uma família paulistana podia comprar era de 131 por mês, número que caiu para 120 em 2025. O estudo considera pizzas de muçarela, sabor mais acessível, e usa como base a renda familiar média de cada distrito da capital. A disparidade é evidente: em Alto de Pinheiros, a renda permite comprar 313 pizzas mensais, enquanto em Anhanguera o número cai para 73. Os preços também variam drasticamente, de R$ 102,59 em Pinheiros a R$ 39,74 em Pedreira. Os pesquisadores atribuem essa diferença ao poder de compra local e à concorrência por preço nas regiões periféricas.
O aparente boom das pizzarias esconde uma realidade econômica mais complexa. A expansão do setor, com 13 aberturas diárias, ocorre num contexto de estagnação salarial e inflação seletiva — o preço da muçarela subiu 40% no período. A análise por distritos em São Paulo revela a geografia do consumo: bairros ricos como Pinheiros absorvem pizzas três vezes mais caras que as periferias, criando dois mercados paralelos. Nas áreas de alta renda, estabelecimentos competem por diferenciação (ingredientes premium, experiência); nas periféricas, a guerra é por preço baixo, com margens tão apertadas que inviabilizam upgrades. O Índice Mozarela, ao focar no item mais básico do cardápio, expõe o fosso entre custo de vida e poder de compra — enquanto o setor cresce numericamente, seu público tradicional perde capacidade de consumo. A pizza, antes símbolo de acesso democrático à gastronomia, torna-se termômetro da desigualdade urbana.