Brasil é eliminado pela Noruega e iguala pior jejum em Copas
Casemiro chora e admite decepção de 210 milhões após derrota que expõe crise estrutural
A seleção brasileira foi eliminada da Copa do Mundo 2026 após derrota por 2 a 0 para a Noruega neste domingo (5). Casemiro, volante e um dos líderes do time, não conteve as lágrimas ao comentar a decepção. 'A gente sabe que acaba desapontando mais de 210 milhões [de brasileiros]', disse o jogador de 34 anos, que provavelmente encerra sua trajetória em Copas. O Brasil teve chances claras, especialmente no primeiro tempo, mas parou no goleiro norueguês Orjan Nyland, que defendeu um pênalti de Bruno Guimarães e fez outras intervenções decisivas. Casemiro comparou a derrota à eliminação para a Croácia em 2022, quando o time também desperdiçou oportunidades. Com o resultado, o Brasil iguala seu pior jejum em Copas - 24 anos sem título, marca que já havia sido alcançada entre 1970 e 1994.
A eliminação para a Noruega expõe a crise estrutural do futebol brasileiro, que vai muito além do choro de Casemiro. Os incentivos estão desalinhados: a CBF mantém um modelo arcaico de gestão, enquanto clubes priorizam venda de jovens para o exterior em vez de formação tática. O discurso de 'decepção com 210 milhões' mascara uma realidade - a seleção não é mais protagonista. A Noruega, com apenas 5 milhões de habitantes, mostrou organização que o Brasil há muito perdeu. O timing é revelador: a derrota ocorre no mesmo ano em que a CBF gastou R$ 12 milhões em diárias para sua cúpula. Enquanto isso, a base segue negligenciada. Casemiro, último remanescente da geração que ainda alcançou uma semifinal (2014), chora o fim de um ciclo que já estava esgotado. Os números não mentem: desde 2002, o Brasil só passou duas vezes das quartas em seis Copas. O problema não é a Noruega - é o espelho que ela segurou.