Brasil pode se beneficiar de novo cenário geopolítico do petróleo, aponta Firjan
Estudo destaca vantagens competitivas do país, mas omite desafios regionais e interesses setoriais
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou estudo apontando que o Brasil está posicionado para se beneficiar das mudanças no cenário geopolítico do petróleo. O relatório destaca que a combinação de reservas comprovadas, capacidade de refino e infraestrutura logística coloca o país em vantagem comparativa frente a outros produtores globais. Segundo a análise, os conflitos no Oriente Médio e as sanções à Rússia criaram uma janela de oportunidade para o Brasil aumentar sua participação no mercado internacional de combustíveis. A entidade projetou que o país poderia ampliar em até 15% suas exportações de derivados até 2025, aproveitando a demanda reprimida na Europa e Ásia. O estudo foi apresentado durante encontro com representantes do setor petrolífero no Rio de Janeiro.
O otimismo da Firjan esconde um jogo de bastidores mais complexo. O timing do estudo coincide com a pressão do setor petrolífero por novos leilões de blocos exploratórios, paralisados desde 2020. As grandes petroleiras internacionais, que mantêm escritórios no Rio, têm interesse direto em reaquecer o mercado brasileiro - especialmente a Petrobras, que enfrenta resistência política para novos investimentos em refino. O frame da 'janela de oportunidade' omite que a mesma geopolítica citada já elevou os custos de importação de insumos para a indústria nacional. Enquanto a Firjan fala em exportações, não menciona que 78% da capacidade atual de refino está concentrada em apenas três estados - RJ, SP e RS - criando assimetrias regionais. O relatório serve como carta de pressão para agilizar licenças ambientais e atrair capital estrangeiro, num momento em que o governo precisa de resultados econômicos rápidos antes das eleições municipais.