Brasil registra recorde de desconfiança em relação aos EUA, mostra pesquisa
Queda de 76% para 32% na confiança sobre respeito às liberdades individuais reflete tensões diplomáticas e comerciais.
O Brasil registrou o menor índice de confiança de que os Estados Unidos respeitam as liberdades individuais de sua população, segundo pesquisa divulgada pelo Pew Research Center. Apenas 32% dos brasileiros acreditam que o governo americano respeita as liberdades individuais de seus cidadãos, o menor percentual já registrado pelo instituto no país. Em 2013, durante o governo de Barack Obama, esse índice era de 76%. A pesquisa foi realizada entre 8 de fevereiro e 13 de maio deste ano, ouvindo 42.151 pessoas em 36 países. Globalmente, apenas 37% dos entrevistados têm uma visão favorável dos EUA, enquanto 57% expressam opiniões desfavoráveis. A confiança em Donald Trump também é baixa: a mediana entre os países pesquisados é de 23%, ante 30% no Brasil. Na América Latina, a avaliação dos Estados Unidos varia significativamente, com Colômbia e Peru mantendo visões majoritariamente positivas, enquanto Brasil e Argentina aparecem divididos, e México e Chile registram predominância de opiniões desfavoráveis. A pesquisa ocorreu após um ano de atritos diplomáticos e disputas comerciais entre Brasil e EUA, incluindo a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca em maio, quando a relação bilateral parecia menos turbulenta. No entanto, episódios recentes, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA e a investigação comercial que pode resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros, aumentaram a tensão.
O recorde de desconfiança dos brasileiros em relação aos EUA não é apenas uma reação isolada, mas parte de uma estratégia geopolítica mais ampla. A queda de 76% para 32% na confiança sobre o respeito às liberdades individuais coincide com a ascensão de Donald Trump e suas políticas migratórias e comerciais. O timing da pesquisa, realizada após a visita de Lula à Casa Branca, sugere que o encontro não foi suficiente para mitigar as tensões acumuladas. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA pode ser vista como uma manobra para pressionar o Brasil em questões de segurança e comércio, enquanto a investigação comercial sobre tarifas reforça a percepção de que os EUA estão usando medidas protecionistas. A queda na confiança global nos EUA, com apenas 37% dos entrevistados tendo uma visão favorável, indica uma crise de legitimidade internacional para Washington. A percepção negativa no Brasil reflete uma tendência global de preocupação com a saúde da democracia americana e seu papel no cenário internacional. A América Latina, historicamente uma região de influência dos EUA, está agora dividida, com países como México e Chile expressando predominantemente opiniões desfavoráveis. Essa fragmentação pode abrir espaço para outras potências, como a China, aumentarem sua influência na região.