Bring Me the Horizon e a encruzilhada do metal pop
Entre guturais e sintetizadores, banda britânica consolida performance híbrida no Rock in Rio
O que o Bring Me the Horizon fez no Rock in Rio foi menos um concerto do que uma demonstração de física cultural: como manter trajetória ascendente quando se navega entre campos magnéticos opostos. Oliver Sykes comandou o que talvez seja a última banda de metal que ainda importa para algoritmos, sem no entanto perder o contato visceral com aqueles que ainda creem no poder catártico do mosh pit. Sua estratégia é simples e complexa: cantar sobre depressão com refrões que grudam como chiclete, vestir a angústia existencial com roupagem de rave lisérgica. O resultado é uma espécie de placebo sonoro - você sente o efeito, ainda que saiba da fórmula. Quando Sykes alterna entre guturais deathcore e melancolia pop em 'Teardrops', ou quando o telão os transforma em avatares digitais, não está traindo suas origens, mas sim expondo a contradição central da música pesada em 2026: para sobreviver, precisa deixar de ser apenas pesada. O Brasil, com sua tradição de abraçar contradições, parece o lugar perfeito para essa encarnação pós-humana do rock.