Camisa da Seleção: hino têxtil ao tribalismo nacional
Sumiço das camisas antes da Copa evidencia como o futebol é teatro coletivo vestido de malha
O apagão de camisas da Seleção nas lojas não é mero fenômeno de abastecimento — é ritualismo nacional em ação. A fila para comprar a camisa verde-amarela é tribalismo moderno: não importa se o torcedor sabe pintar o nome de todos os jogadores ou se confunde Paquetá com Casemiro; vestir a camisa é participar de um espetáculo coletivo. O timing não poderia ser mais estratégico: a 4 dias do apito inicial, o Brasil se veste de amarelo como quem prepara o figurino para o maior palco do mundo. Enquanto isso, a Nike lucra com nosso desejo ancestral de pertencimento — afinal, nada une mais um país do que a ilusão compartilhada de que somos favoritos toda Copa.