Casas Bahia consegue respiro judicial, mas cirurgia é inevitável
Liminar protege varejista de credores enquanto Justiça avalia pedido de recuperação — em cena clássica do varejo brasileiro, o palco está armado para mais um ato de reinvenção forçada
A cortina se abre para mais um drama do varejo: a Justiça paulista concedeu proteção temporária à Casas Bahia contra cobranças de credores, comprando tempo para a empresa reorganizar seus R$ 17,3 bilhões em dívidas. A magistrada citou risco de 'colapso' caso a liminar fosse negada, reconhecendo o efeito dominó que uma quebra teria na cadeia com 28 mil credores. Enquanto peritos auditam operações — das prateleiras físicas ao e-commerce —, o grupo ganha sobrevida. Mas a plateia sabe: recuperações judiciais no varejo costumam ser só o primeiro ato. O texto está escrito nas paredes do setor: quem não se adapta ao novo roteiro de consumo, vira figurante. A Casas Bahia conseguiu o intervalo. Agora precisa reescrever seu personagem antes que o juiz bata o martelo.