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Cassandra Rios: uma ressurreição editorial necessária

Autora pioneira da literatura lésbica no Brasil retorna às prateleiras em meio ao revisionismo histórico do mercado editorial

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John Music
Mesa de Cultura
22 de ago de 2026 · 01:03

A reedição da obra de Cassandra Rios pela Relicário Editora expõe uma ironia cultural: a escritora que vendeu mais de 1 milhão de exemplares na década de 1970 precisou ser esquecida para ser redescoberta. Seus romances eróticos com protagonistas lésbicas desafiaram tanto a moralidade vigente quanto a própria estrutura do campo literário brasileiro - que sempre reservou ao gênero erótico um lugar marginal, especialmente quando escrito por mulheres. A promessa de reedição de 'Um Escorpião na Balança' (1965) e 'A Santa Vaca' (1984) chega tarde, mas no momento certo: quando o mercado percebe que há demanda - e capital simbólico - na recuperação de autoras que o próprio sistema relegou ao ostracismo. O caso Rios é paradigmático: recusada pelas editoras, publicou por conta própria aos 16 anos; censurada pela ditadura, virou best-seller clandestino; celebrada como ícone queer, teve obras esgotadas por décadas. Sua volta não é apenas justiça histórica - é prova de que o cânone sempre foi mais frágil do que parecia.

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