Clube de tiro em SP vira palco de simulação de assassinato contra Lula
Empresário posta vídeo de grupo atirando em alvo com rosto do presidente; especialistas apontam crime de ameaça
Um vídeo circulando nas redes sociais mostra dois homens atirando contra um alvo com a imagem do presidente Lula em um clube de tiro em São Paulo. Nas imagens, é possível ouvir frases como 'Faz o L' e 'esse não vai participar da próxima eleição', enquanto risadas acompanham os disparos que atingem principalmente a testa do boneco. O material foi postado no WhatsApp por Maurício Archangelo, empresário da Zona Leste de São Paulo, que após ser contatado pela reportagem afirmou não se lembrar do vídeo e posteriormente bloqueou os repórteres. O clube de tiro envolvido, identificado como 556, também negou conhecimento sobre o caso através de seu proprietário Vinicius Monteiro Pires Inácio, que alegou estar viajando. Especialistas em segurança pública alertam que a conduta pode configurar crime de ameaça, especialmente considerando o histórico de violência política contra Lula, incluindo o ataque à sua caravana em 2018 e planos de assassinato descobertos em 2023. Casos anteriores de uso da imagem de Lula como alvo em clubes de tiro já resultaram em condenações por danos morais.
O ritual performático revela mais do que ódio político - é demonstração de força calculada. Os atores escolheram um clube específico (556) que já teve problemas com a lei, sugerindo familiaridade com espaços de fronteira legal. O timing é didático: dois anos após as ameaças golpistas de 2023, quando a retórica anti-Lula migrou dos panelaços para os estandes de tiro. O fato do empresário Archangelo ter postado o vídeo no WhatsApp, não em redes abertas, indica um público-alvo restrito - provavelmente outros membros de grupos armados bolsonaristas. A rapidez com que o material foi apagado após o contato da imprensa demonstra consciência da ilegalidade, mas também um protocolo de segurança digital já estabelecido. O clube, ao negar conhecimento, repete o padrão de 2022 quando outros estabelecimentos similares foram acionados judicialmente - a estratégia de 'ignorância plausível' que protege tanto os donos quanto os atiradores. Enquanto isso, a reação das autoridades permanece burocrática, focada em enquadramentos jurídicos individuais quando o problema é sistêmico: a militarização da política através de espaços privados de treinamento paramilitar.