CNI propõe dobrar comércio Brasil-Alemanha em cinco anos
Meta ambiciosa busca reposicionar fluxos bilaterais em cenário global reconfigurado
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou nesta segunda-feira (26) o lançamento de uma iniciativa para ampliar o fluxo comercial entre Brasil e Alemanha. O objetivo é dobrar o valor das trocas bilaterais em cinco anos. Segundo dados da CNI, o intercâmbio comercial entre os dois países atingiu 19 bilhões de dólares em 2022, com superávit de 1,3 bilhão de dólares para o Brasil. A proposta foi apresentada durante visita oficial de uma delegação empresarial brasileira à Alemanha, liderada pelo presidente da CNI, Robson Andrade. O plano inclui estratégias para ampliar a participação de empresas brasileiras em setores como energia renovável, tecnologia e infraestrutura. A iniciativa surge em um momento de revisão das cadeias globais de suprimentos e busca fortalecer a cooperação industrial entre os dois países.
A meta de dobrar o comércio bilateral em cinco anos é menos uma projeção técnica e mais uma sinalização política. A CNI busca reposicionar o Brasil diante da Alemanha em um momento de reconfiguração das cadeias globais pós-pandemia e guerra na Ucrânia. A escolha estratégica por setores como energia renovável e tecnologia não é casual: reflete a demanda alemã por diversificação de fornecedores longe da China e o interesse brasileiro em captar investimentos em áreas de alta complexidade. O timing da iniciativa coincide com a necessidade do governo federal de demonstrar resultados concretos em política externa comercial, especialmente após críticas recentes sobre a falta de avanços nas negociações com a União Europeia. Para a CNI, trata-se também de garantir relevância no diálogo entre os setores privados dos dois países, em um cenário onde grandes acordos multilaterais seguem travados.