Colômbia adota política de segurança dura com apoio dos EUA
Governo anuncia repressão ao narcotráfico no aniversário dos acordos de paz com as FARC
O presidente colombiano Abelardo de la Espriella anunciou uma mudança radical na política de segurança do país, com amplo apoio dos Estados Unidos. Durante evento conjunto com o secretário de Estado americano Marco Rubio, De la Espriella prometeu uma abordagem dura contra o narcotráfico, incluindo fumigação de plantações de coca, perseguição a laboratórios e chefes do tráfico. O plano, chamado 'Patriota Siglo 21', prevê modernização de equipamentos militares e de inteligência com ajuda dos EUA.
A mudança ocorre após o governo de Gustavo Petro (2022-2026), que priorizou negociações com grupos armados através da política 'Paz Total', mas viu o crescimento de organizações como o Clan del Golfo (10 mil membros) e ELN (7 mil membros). A Colômbia registrou em 2025 as piores consequências humanitárias do conflito armado em uma década, segundo a Cruz Vermelha.
O anúncio coincide com o décimo aniversário dos acordos de paz de 2016 com as FARC, assinados por Juan Manuel Santos após anos de confronto militar. Especialistas apontam que a história colombiana mostra que força e negociação não são necessariamente políticas opostas.
A guinada securitária colombiana reflete três movimentos geopolíticos simultâneos. Primeiro, os EUA buscam reposicionar sua influência após o esfriamento das relações durante o governo Petro, que adotou postura independente na região. O envio de Rubio (figura dura da política americana) sinaliza prioridade ao controle do narcotráfico sobre outros interesses.
Internamente, De la Espriella capitaliza o desgaste da estratégia conciliatória de Petro, mas enfrenta o dilema estrutural colombiano: desde os anos 1980, cada ciclo de repressão aumenta a fragmentação dos grupos armados, criando novas facções mais violentas. O 'Patriota Siglo 21' repete elementos do Plano Colômbia (1999), porém com tecnologia atualizada e maior ênfase em inteligência.
O timing do anúncio - próximo ao aniversário dos acordos de paz - não é acidental: busca contrastar com o fracasso relativo da 'Paz Total', mas evita criticar diretamente os acordos de 2016, que ainda têm apoio internacional. A estratégia depende crucialmente da continuidade do financiamento americano, vulnerável a mudanças políticas em Washington.