Colômbia reduz jornada de trabalho para 42 horas semanais
Medida busca apaziguar protestos e segue diretrizes da OIT, com apoio empresarial.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A Colômbia reduziu sua jornada de trabalho de 48 para 42 horas semanais em julho de 2021, sob o governo do presidente Iván Duque, de direita. A proposta foi apresentada pelo ex-presidente Álvaro Uribe e prevê redução gradual sem cortes salariais, alcançando as 42 horas apenas em julho de 2026. Segundo Sebastián Granda Henao, professor da UFGD, a medida buscou apaziguar os ânimos após os protestos de 2019. Apesar de algumas críticas, a proposta contou com apoio empresarial e foi aprovada sem grandes resistências no Congresso colombiano. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda jornadas de até 40 horas semanais. No Brasil, a redução para 44 horas ocorreu em 1988, durante a Constituinte. José Dari Krein, professor da Unicamp, destaca que a Colômbia estava 'fora da curva' ao manter jornadas de 48 horas até 2021.
A redução da jornada de trabalho na Colômbia reflete um contexto político e social turbulento. Os protestos de 2019 e 2021 pressionaram o governo de Iván Duque a buscar medidas que amenizassem o descontentamento popular. A proposta, embora conservadora, foi uma estratégia para evitar reformas mais profundas e garantir apoio em um cenário eleitoral favorável à esquerda, representada por Gustavo Petro. A aprovação sem grandes resistências sugere uma convergência de interesses entre governo e empresariado, em um momento de fragilidade política da direita. A medida também acompanha as diretrizes da OIT, que busca harmonizar jornadas de trabalho globalmente. No Brasil, a discussão sobre redução da jornada ressurge em um contexto de pressões trabalhistas e econômicas pós-pandemia.