Confiança empresarial mantém estabilidade em maio, apesar de incertezas
Índice da FGV fica em 90,9 pontos, com expectativas subindo e situação atual em queda.
O Índice de Confiança Empresarial (ICE), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), permaneceu estável em maio em comparação com abril, atingindo 90,9 pontos. Apesar da estabilidade geral, houve variações setoriais: o indicador de expectativas subiu 0,8 ponto, enquanto o de situação atual caiu 1,3 ponto. O ICE é composto por esses dois indicadores, que refletem a percepção dos empresários sobre o presente e o futuro da economia. A pesquisa foi realizada com mais de 4 mil empresas de diferentes setores e portes em todo o país. A FGV destacou que a estabilidade ocorre em um contexto de incertezas econômicas, incluindo pressões inflacionárias e ajustes monetários.
A estabilidade do ICE em maio mascara tensões estruturais na economia brasileira. O aumento nas expectativas empresariais, ainda que modesto, parece refletir uma aposta no alívio futuro das pressões inflacionárias, possivelmente alinhada ao discurso oficial de controle de preços. Já a queda no índice de situação atual sugere que os desafios imediatos — como custos elevados e demanda fraca — permanecem. O timing da divulgação, próxima ao anúncio de novos dados do PIB, não é casual: o governo busca equilibrar narrativas de otimismo futuro com a realidade de um crescimento econômico ainda frágil. Setores como indústria e serviços, que dependem mais de crédito e consumo interno, continuam vulneráveis aos juros altos, enquanto o agronegócio, menos impactado, pode estar sustentando parte da estabilidade geral.