Congresso derruba veto de Lula e rejeita ministro do STF
Davi Alcolumbre articula derrotas ao governo e Vladimir Safatle alerta para guerra política
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
O governo Lula enfrentou duas derrotas significativas no Congresso Nacional nesta semana. Na quarta-feira, 29 de abril, o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na quinta-feira, 30 de abril, o veto integral de Lula ao Projeto de Lei da dosimetria foi derrubado pelo Congresso. O PL tinha como objetivo reduzir as penas dos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem beneficiar integrantes de facções criminosas. O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi o articulador central de ambas as derrotas. Ele desmembrou o PL para garantir que as penas dos condenados pelo 8 de janeiro fossem reduzidas, evitando um choque com a Lei Antifacção. Vladimir Safatle, filósofo e professor da USP, alerta que o Congresso declarou guerra ao Executivo e que o tempo das saídas conciliatórias terminou. Ele sugere que o governo Lula politize as disputas e mobilize a população, seguindo o exemplo do presidente colombiano Gustavo Petro.
A dupla derrota de Lula no Congresso não é casual. Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso, emerge como o pivô de uma estratégia coordenada para minar o governo. Alcolumbre, do União Brasil, partido que oscila entre apoio e oposição, tem interesses claros: consolidar sua liderança e garantir espaço na próxima eleição presidencial de 2026. A derrubada do veto ao PL da dosimetria é emblemática — beneficia Bolsonaro e seus aliados, fortalecendo a base eleitoral da extrema direita. A rejeição de Jorge Messias ao STF, por sua vez, é um recado claro ao Palácio do Planalto: o Congresso não está disposto a ceder. Safatle acerta ao apontar que o modelo conciliatório de Lula está esgotado, mas sua análise ignora um detalhe crucial: o Congresso sabe que a polarização beneficia a oposição. Cada derrota inflama a base bolsonarista e desestabiliza o governo. A estratégia de Alcolumbre é clara: usar o Legislativo como trincheira para fragilizar Lula e pavimentar o caminho para 2026.