Crédito Direcionado: Turismo Sob a Ótica de Gênero
Medida visa microempreendedoras vítimas de violência, mas ignora desafios estruturais do setor
A iniciativa de crédito especial para microempreendedoras do turismo vítimas de violência parece alinhada ao discurso de empoderamento feminino, mas levanta questões sobre sua efetividade prática. Criar linhas de financiamento específicas é um primeiro passo necessário, porém insuficiente num setor marcado por informalidade e sazonalidade. O turismo brasileiro opera sob uma estrutura que penaliza especialmente as mulheres, desde a precarização das relações de trabalho até a exposição a situações de risco. Ao focar no crédito sem abordar questões como capacitação gerencial, acesso a mercados e proteção física, o programa corre o risco de perpetuar ciclos de endividamento ao invés de promover emancipação econômica. A medida seria mais eficaz se integrada a políticas públicas transversais que garantam não apenas recursos, mas condições estruturais para seu uso produtivo. O timing pós-pandemia, quando muitas empreendedoras tiveram que se reinventar, reforça a urgência da proposta, mas também sua incompletude.