Cuba flexibiliza setores estratégicos para empresas privadas em meio a crise histórica
Governo mantém controle sobre educação e mídia enquanto abre farmácias e postos de gasolina à iniciativa privada
O governo cubano anunciou nesta quarta-feira (29) a abertura de setores estratégicos para empresas privadas, em meio à pior crise econômica desde o colapso da União Soviética. O decreto autoriza a participação privada em distribuição de combustíveis, serviços portuários, farmácias e cuidados a idosos, setores historicamente controlados pelo Estado. A medida ocorre enquanto a ilha enfrenta apagões constantes, escassez de itens básicos e protestos noturnos. O governo manteve controle rígido sobre educação, telecomunicações, mídia e defesa, considerados essenciais para a manutenção do poder. A crise se agravou após o bloqueio energético dos EUA, que intensificou sanções contra Cuba nos últimos anos.
A abertura limitada reflete um cálculo de sobrevivência do Partido Comunista. Ao liberar setores economicamente quebrados (combustíveis, farmácias) mas manter controle sobre informação (mídia, telecomunicações), o governo tenta aliviar pressões populares sem perder o monopólio político. O timing coincide com a erosão da base social cubana - os tradicionais defensores do regime agora batem panelas. A medida também sinaliza para potências estrangeiras (China, Rússia) que Cuba pode flexibilizar seu modelo para obter investimentos, sem abrir mão do núcleo duro do poder. Não é reforma, mas sim uma contenção de danos calculada: privatizar o suficiente para evitar colapso total, mas não o bastante para mudar a estrutura de controle.