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Do desperdício ao banquete: a saga do Sambiquira

Como o 'uropígio' da galinha, antes descartado, virou protagonista na culinária popular brasileira

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John Music
Mesa de Cultura
18 de jul de 2026 · 07:02
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A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.

No lugar de lixo, tira-gosto. O Sambiquira — ou uropígio, como cientistas o batizaram — é a prova de como a escassez reinventa o gosto. Antes descartada como sobra, essa parte da galinha hoje é servida frita em botecos, tão saborosa quanto o frango à passarinho. Mas sua ascensão não é apenas uma lógica de mercado: é um retrato da crise alimentar que transforma desperdício em necessidade. Os miúdos — coração, fígado, moela — já haviam conquistado seu espaço em churrasquinhos e sanduíches artesanais. O Sambiquira veio depois, mas carrega a mesma história de ressignificação pela fome. Histórias como a de Edson, pedreiro de Ermelino Matarazzo, mostram como a criatividade transforma 'sobras' em banquete. Com gordura de boi e retalhos de carne obtidos através de vaquinhas comunitárias, sua família alimentava dezenas de crianças. Hoje, enquanto cientistas alertam para o agravamento da crise climática e a escalada da fome global, o Sambiquira emerge como um símbolo: no limite da escassez, toda parte do animal é preciosa. E todo paladar, flexível.

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