Do Minotauro aos Shoppings: Como os Labirintos Moldaram o Mundo Moderno
Em novo livro, Francesco Perrota-Bosch traça a jornada arquetípica do labirinto, do mito grego à arquitetura contemporânea
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Há 4.000 anos, o rei Minos ordenou a construção de um labirinto para aprisionar o Minotauro, criatura mitológica parte homem, parte touro. Projetado por Dédalo, esse labirinto não apenas inaugurou a arquitetura, mas também se tornou um arquétipo cultural que transcendeu eras e formatos. Essa jornada é o tema de 'O Livro dos Labirintos', de Francesco Perrota-Bosch, obra que explora como o labirinto evoluiu de mito grego para símbolo de desorientação nos shoppings e aeroportos modernos.
Perrota-Bosch, conhecido por sua biografia de Lina Bo Bardi, passou anos pesquisando arquivos em Veneza para reconstruir essa narrativa. Seu livro, ricamente ilustrado, desdobra-se de sua tese de doutorado e examina como o labirinto foi estampado em moedas gregas, pisos de igrejas medievais e jardins aristocráticos, até inspirar obras de Hélio Oiticica e Richard Serra.
Para o autor, os mitos gregos, por sua natureza não factual, permitem interpretações diversas e assumem formas palpáveis ao longo do tempo. Ele destaca que shoppings e aeroportos contemporâneos são labirintos modernos, projetados para desorientar e prender o consumidor ou o viajante, assim como o labirinto de Dédalo aprisionava o Minotauro.
'O labirinto foi apropriado pelo capitalismo e por estratagemas de segurança', afirma Perrota-Bosch, sugerindo que essa estrutura arquetípica continua viva, ainda que ressignificada pelas demandas do mundo moderno.