Duas Décadas de Fantasmas: A Longa Gestação de um Romance
Socorro Acioli reflete sobre os 20 anos de escrita de uma obra ainda inacabada, explorando os limites entre realidade e ficção
Desde 2006, Socorro Acioli cultiva a história de Daniel, um menino de rua que acredita na possibilidade de comprar uma mãe. O projeto literário, que já passou por 12 versões descartadas, tornou-se mais que um livro: é um diálogo prolongado entre jornalismo e ficção. A autora de 'A Cabeça do Santo' confessa que a narrativa evoluiu conforme sua compreensão sobre doença mental e criação literária se aprofundava. Em 2006, Daniel era o protagonista; hoje, só aparece no terceiro capítulo. Acioli descreve seu processo como uma mistura de pesquisa jornalística e invenção literária, onde entrevistas e leituras se fundem com sonhos e justiça poética. A história, que começou como uma fábula urbana, transformou-se em um estudo sobre as fronteiras entre sanidade e loucura, realidade e desejo. Após duas décadas de almoços com editores pacientes e auditórios lotados, Acioli persiste em seu projeto, provando que às vezes a literatura demanda mais que tempo — exige a maturação de uma visão de mundo.