Escassez de whey protein pode impulsionar busca por novas fontes proteicas
Abenutri avalia alternativas como proteínas de laboratório e vegetais diante da estagnação na produção até 2027.
A escassez de whey protein no Brasil pode levar empresas a buscar novas fontes de proteínas para suprir a demanda, segundo avaliação de Marcelo Bella, presidente da Abenutri (Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais). Entre as alternativas citadas estão proteínas de carne, levedura, vegetais (como ervilha) e as produzidas em laboratório por fermentação. Bella destaca que a última opção já permite obter um produto com alto valor biológico fora do soro do leite. O desafio de garantir matéria-prima disponível e a preços acessíveis tem se agravado, com a demanda por whey protein continuando alta, mas a oferta estagnada devido à falta de expansão de fábricas. O Brasil responde por cerca de 60% do consumo de proteína do soro do leite na América do Sul, com a categoria crescendo a uma taxa média de 8% ao ano entre 2020 e 2025. No mercado internacional, o preço da tonelada de concentrado de whey com 80% de proteína subiu até 105% em um ano, chegando a 120% no Brasil em 2026. Novas fábricas só devem entrar em operação a partir de 2027, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e Europa.
A escassez de whey protein revela uma dinâmica de mercado onde a demanda supera a capacidade de produção, criando um cenário propício para a diversificação de fontes proteicas. A Abenutri, ao destacar alternativas como proteínas de laboratório e vegetais, sinaliza uma estratégia de adaptação das empresas diante de um gargalo estrutural. O timing é crucial: enquanto novas fábricas só entrarão em operação em 2027, o mercado brasileiro, responsável por 60% do consumo sul-americano, enfrenta pressões de preço e disponibilidade. A alta nos custos internacionais e a falta de expansão imediata sugerem que os players do setor estão sendo forçados a buscar soluções criativas para manter a competitividade. Além disso, o crescimento anual de 8% na categoria entre 2020 e 2025 indica um mercado em expansão, mas com desafios logísticos e de produção que podem beneficiar empresas capazes de inovar rapidamente. O cenário também abre espaço para concorrentes emergentes, especialmente aqueles que investem em tecnologias de fermentação e proteínas alternativas, enquanto as marcas estabelecidas buscam manter sua posição dominante.