Exército repassou R$ 39 milhões ao Banco Master em empréstimos consignados
Coaf apontou irregularidades no destino dos recursos; banco foi liquidado em 2025.
O Exército brasileiro credenciou o Banco Master para operações de empréstimos consignados a militares da ativa e da reserva, repassando R$ 39 milhões à instituição entre agosto de 2024 e outubro de 2025. O valor refere-se aos descontos nos contracheques dos militares devido ao crédito concedido pelo banco. O montante foi destacado em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), enviado à CPI do Crime Organizado no Senado. O relatório apontou duas possíveis irregularidades: o recebimento dos repasses com débito imediato pelo Master, indicando transações suspeitas, e a concentração dos recursos em uma mesma titularidade, dificultando a identificação de outros beneficiários. Após a liquidação do Master pelo Banco Central em novembro de 2025, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato de credenciamento. Em nota, o Exército afirmou que não houve perda patrimonial para a instituição ou para os cofres públicos, destacando que os valores eram particulares dos militares para pagamento de dívidas privadas. O banco foi credenciado após participar de edital público e comprovar requisitos de habilitação.
A credenciamento do Banco Master pelo Exército revela uma engrenagem que vai além das transações financeiras. O timing coincide com um período de fragilidade regulatória no setor bancário, onde instituições menores buscavam expandir suas operações em nichos específicos. O Master, então sob controle de Daniel Vorcaro, encontrou no Exército um cliente estratégico, capaz de garantir fluxo constante de recursos através dos empréstimos consignados. A concentração dos repasses em uma única titularidade, conforme apontado pelo Coaf, sugere uma tentativa de ocultar o destino real dos recursos, prática comum em operações com indícios de lavagem de dinheiro. A liquidação do Master pelo Banco Central em novembro de 2025 interrompeu abruptamente essa relação, mas os R$ 39 milhões já repassados evidenciam uma operação lucrativa para o banco. O Exército, por sua vez, manteve sua posição de que não houve perda patrimonial, mas a credenciação de uma instituição que acabou sendo liquidada por suspeitas de irregularidades levanta questões sobre os critérios de seleção e monitoramento. A ausência de resposta da defesa de Vorcaro aos questionamentos da reportagem reforça o silêncio que costuma cercar casos desse tipo.