Filipinas joga a escama no jogo portuário: ICTSI acusa Maersk e MSC de cartel velado em Santos
Operadora pede ao Cade rejeição imediata de esquema de 'desinvestimento de fachada' que daria às gigantes 58% do mercado até 2034
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
O tabuleiro do poder portuário em Santos virou campo de batalha jurídica. A ICTSI, operadora filipina que já domina Suape, entrou no Cade com um pedido explosivo: que o conselho nem perca tempo analisando a jogada de Maersk e MSC para dividir o bolo do Tecon 10. As duas armadoras, que já são sócias no BTP, propõem um esquema de desinvestimento condicional - se uma ganhar o leilão, vende sua parte na joint venture à outra. A ICTSI não compra o discurso de 'mera formalidade': anexou estudo mostrando que o arranjo elevaria o duopólio de 40% para 58% da capacidade até 2034, num movimento que chamou de 'cartelização por procuração'. O timing é sintomático - o pleito chega quando Casa Civil e Antaq/TCU brigam nos bastidores sobre quem pode ou não participar do leilão. O que parece manobra contábil esconde a velha máxima portuária: quem controla os berços dita o ritmo do comércio global. Enquanto isso, o terminal de Santos segue como palco onde se encena a peça mais antiga do capitalismo: a concentração de poder disfarçada de livre concorrência.