Fim da escala 6x1 divide políticos e empresários às vésperas das eleições
PEC que reduz jornada de trabalho mobiliza cenário político polarizado e expõe divergências no setor empresarial
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, reduzindo a jornada de trabalho e adicionando um dia de descanso semanal sem corte salarial, segue em discussão no Congresso Nacional. A PEC deve ser votada nesta quarta-feira (2) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em meio a um cenário político polarizado e a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, tem defendido a medida como uma forma de ampliar o tempo de convívio familiar dos trabalhadores. Em sua conta no X (ex-Twitter), Lula afirmou que há quem 'jogue contra os interesses dos trabalhadores', mas que seu governo está mobilizado para aprovar a mudança. Já Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, evitou se posicionar sobre o tema, afirmando apenas que defende a liberdade do trabalhador para escolher sua jornada. Entre os empresários, há divergências. Luciano Hang, das Lojas Havan, defendeu a autonomia do trabalhador para decidir sobre sua carga horária, enquanto Isabela Raposeiras, do setor de alimentos e bebidas, apoiou a transição para o modelo 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), destacando seus benefícios.
O timing da votação da PEC que extingue a escala 6x1 não é casual. Com o primeiro turno das eleições presidenciais marcado para 4 de outubro, a proposta surge como uma jogada estratégica do governo Lula para consolidar sua base eleitoral entre trabalhadores e sindicatos. O presidente, que busca a reeleição, tenta capitalizar politicamente a medida, associando-a a ganhos sociais em um momento em que precisa mobilizar seu eleitorado. Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL), ao evitar um posicionamento claro, busca não antagonizar setores empresariais conservadores nem perder o apoio de trabalhadores insatisfeitos com a atual carga horária. A divergência entre empresários também reflete uma disputa de narrativas: enquanto Hang representa o setor que teme aumento de custos e perda de flexibilidade, Raposeiras sinaliza uma visão mais moderna, alinhada com tendências globais de bem-estar no trabalho. O movimento sugere que, além do impacto econômico, a PEC é parte de uma batalha política mais ampla, onde cada ator busca posicionar-se estrategicamente às vésperas das eleições.