Firjan projeta vantagem geopolítica para petróleo brasileiro
Estudo sugere realinhamento de rotas globais, mas omite custos de adaptação logística
A análise da Firjan sobre o reposicionamento do petróleo brasileiro no tabuleiro geopolítico opera na lógica do wishful thinking institucional. Ao celebrar supostas vantagens comparativas diante de conflitos no Oriente Médio e sanções à Rússia, o estudo silencia sobre três variáveis críticas: a capacidade ociosa de refino nacional, os prazos dilatados para ajustes infraestruturais e a dependência tecnológica de players globais. O timing do relatório coincide com a pressão por investimentos em exploração de águas profundas — setor que concentra 68% dos contratos de risco assinados nos últimos 24 meses. A narrativa da 'janela de oportunidade' mascara o verdadeiro jogo: transformar crise alheia em capital político para desbloquear licenças ambientais pendentes.