Guia sherpa sobrevive seis dias no Everest após ser dado como morto
Dawa Sherpa conta como escapou da morte mastigando gelo e comendo chocolates.
O guia nepalês Dawa Sherpa, dado como morto após desaparecer no Monte Everest, contou à BBC como sobreviveu por seis dias em condições extremas. Sherpa, de 57 anos, ficou para trás quando seu oxigênio acabou, sendo encontrado vivo apenas após sua família iniciar os ritos fúnebres. Ele sobreviveu mastigando gelo e comendo chocolates que encontrou nos bolsos, além de enfrentar uma fratura, desidratação e congelamento. Preso em uma fenda por dois dias e meio, Sherpa conseguiu sair após uma avalanche trazer neve que permitiu sua fuga. Ele foi resgatado por uma equipe que o avistou descendo em direção ao acampamento-base e foi levado de helicóptero para um hospital em Katmandu, onde se recupera.
A história de Dawa Sherpa revela mais do que um feito de sobrevivência humana. Ela expõe as condições precárias e os riscos extremos enfrentados pelos guias sherpas no Everest, profissionais muitas vezes invisibilizados nas narrativas de conquista da montanha. Sherpas como Dawa são essenciais para expedições internacionais, mas suas histórias raramente ganham destaque. O fato de sua família ter iniciado os ritos fúnebres antes mesmo de sua morte ser confirmada ilustra a alta mortalidade e a aceitação cultural desses riscos. Além disso, o resgate tardio e a dependência de eventos aleatórios, como a avalanche que salvou Sherpa, destacam a falta de infraestrutura de segurança adequada para os trabalhadores locais. A sobrevivência de Sherpa é um lembrete das desigualdades intrínsecas no alpinismo comercial, onde os sherpas carregam o maior peso literal e figurativo, enquanto a glória frequentemente recai sobre os escaladores estrangeiros.